segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O TEMPO E AS JABUTICABAS




Quanto tempo tenho a não ser o momento  que estou vivendo? Tenho mais tempo que vida.
Aprendi que a pessoa mais importante no momento é aquela que está na minha frente e,com isso, tenho desfrutado de momentos incríveis com pessoas que têm sempre algo a me ensinar.

A.F. Fuini

O tempo e as jabuticabas
Rubem Alves


Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.’
O essencial faz a vida valer a pena.


Rubem Alves

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

DIFERENÇA ENTRE ADJUNTO ADVERBIAL E PREDICATIVO DO SUJEITO




Diferença entre ADJUNTO ADVERBIAL E PREDICATIVO DO SUJEITO

E preciso cuidado ao analisar um termo próximo ao verbo, pois nem sempre esse termo exerce a função de ADJUNTO ADVERBIAL.

ADJUNTO ADVERBIAL

O adjunto adverbial indica uma circunstância do verbo, enquanto o predicativo do sujeito indica uma característica do sujeito.
Exemplo: O jogador está no vestiário.
O termo grifado exerce a função de adjunto adverbial, pois indica o lugar onde o jogador está.

O mendigo morreu de frio.
A expressão grifada  refere-se ao verbo morrer, indicando a causa da morte, portanto exerce a função de ADJUNTO ADVERBIAL de causa.

PREDICATIVO DO SUJEITO
Exemplo:  O jogador chegou cansado.
O termo grifado não indica uma circunstância do verbo, mas  uma característica do núcleo do sujeito JOGADOR. Portanto trata-se de um predicativo do sujeito.




domingo, 11 de outubro de 2015

Emprego do A

Classe gramatical do A - artigo definido e pronome pessoal oblíquo.

Em as feridas, A é artigo definido, acompanhando o substantivo (feridas)
E, as provoca. A é pronome pessoal oblíquo, substituindo o substantivo( feridas)
Nesse caso, As funciona como fator de coesão, evitando a repetição desnecessária do substantivo feridas.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

CRASE - EXERCÍCIOS

Reveja a aula de crase e mãos à obra!


EXERCÍCIOS
Crase no Vestibular


1. (IBGE) Assinale a opção incorreta com relação ao emprego do acento indicativo de crase.
a) O pesquisador deu maior atenção à cidade menos privilegiada.
b) Este resultado estatístico poderia pertencer à qualquer população carente.c) Mesmo atrasado, o recenseador compareceu à entrevista.
d) A verba aprovada destina-se somente àquela cidade sertaneja.
e) Veranópolis soube unir a atividade à prosperidade.

2. (IBGE) Assinale a opção em que o A sublinhado nas duas frases deve receber acento grave indicativo de crase:

a. Fui a Lisboa receber o prêmio. / Paulo começou a falar em voz alta.
b. Pedimos silêncio a todos. Pouco a pouco, a praça central se esvaziava.
c. Esta música foi dedicada a ele. / Os romeiros chegaram a Bahia.
d. Bateram a porta fui atender. / O carro entrou a direita da rua.
e. Todos a aplaudiram. / Escreve a redação a tinta.

3. (UF-RS) Disse ..... ela que não insistisse em amar ..... quem não ..... queria.

a) a - a - a                                     d) à - à- à
b) a - a - à                                      e) a - à - à
c) à - a - a

4. (UF-RS) Quanto ..... suas exigências, recuso-me ..... levá-las ..... sério.

a) às - à - a                            d) à - a - à
b) a - a - a                                e) as - a - a
c) as - à - à

5. (UC-BA) Já estavam ..... poucos metros da clareira, ..... qual foram ter por um atalho aberto ..... foice.

a) à - à - a                                   d) à - a - à
b) a - à - a                                 e) à - à - à
c) a - a - à

6. (UC-BA) Afeito ..... solidão, esquivava-se ..... comparecer ..... comemorações sociais.

a) à - a - a                               d) a - à - a
b) à - à - a                               e) a - a - à
c) à - a - à

7. (TTN) Preencha as lacunas da frase abaixo e assinale a alternativa correta:

"Comunicamos ..... Vossa Senhoria que encaminhamos ..... petição anexa ..... Divisão de Fiscalização que está apta ..... prestar ..... informações solicitadas."

a) a, a, à, a, as                                 d) à, à, a, à, às
b) à, a, à, a, às                                  e) à, a, à, à, as
c) a, à, a, à, as

8. (UF-RS) Somente ..... longo prazo será possível ajustar-se esse mecanismo ..... finalidade ..... que se destina.

a) a - à - a                                           d) à - a - a
b) à - a - à                                            e) à - à - a
c) à - à - à

9. (UF-RS) Entregue a carta ..... homem ..... que você se referiu ..... tempos.

a) aquele - à - á                                                  d) àquele - à - à
b) àquele - à - há                                             e) àquele - a - há
c) aquele - a - a

10. (BB) Há crase:

a) Responda a todas as perguntas.
b) Avise a moça que chegou a encomenda.
c) Volte sempre a esta casa.
d) Dirija-se a qualquer caixa.
e) Entregue o pedido a alguém na portaria

GABARITO Clique aqui

CRASE - AULA PRÁTICA





CRASE: UNIÃO DAS VOGAIS  A+A 
Principais casos de ocorrência da CRASE


Sabemos que o acento grave(`) não é crase, apenas acento indicador.

Crase é a união ou fusão de  duas vogais iguais( a+a) à e ocorre nos seguintes casos:

1. O verbo rege preposição A e a palavra feminina exige o artigo A
Exemplo:
Fomos a a praia. Fomos à praia.

2.       ocorrência do artigo “a”  ( a cozinheira ) + a preposição. Exemplo:
Entreguei a receita à cozinheira. 

3.       o verbo rege preposição A e se junta   aos pronomes demonstrativos iniciados por a (aquela, aquele, aquilo)Exemplo:

Prefiro esta música àquela que nossa amiga escolheu.
Não me referi a este bolo, mas àquele de nozes.

Sempre ocorre crase:


a)      nomes femininos
Fomos à cidade.
 Refiro-me à carta que recebi ontem. 

b)        Diante de nomes de Estados  quando admitirem artigo A: “Viajarei à Bahia” ou “Vamos à Itália nas férias” , porque dizemos : “A Bahia fica na região Nordeste” e “A Itália é muito romântica.”

c)      Quando estiver implícita a palavra moda. “Usava sapatos à Luiz XV e cabelos à Caetano Veloso.”

d)      diante de nomes de cidades se eles forem precedidos por qualificativos, como bela, badalada, etc.: “Refiro-me à bela Campinas”, mas “Refiro-me a Campinas”; “Viajou à badalada São Paulo.”, mas “Viajou a São Paulo”. Observe que este “a” é preposição = para.

Observação:
Ocorreu crase em “Viajou à badalada São Paulo”.
 “Refiro-me à bela Campinas”. (a palavra cidade está implícita).

e) antes da palavra HORA ( TEMPO)
Estudo redação das 19h30 às 21h e ainda preciso treinar mais.
Os turistas chegaram às 19 horas.

f) antes do relativo que quando este se referir a alguém do sexo feminino.

Entreguei o prêmio à que mais se esforçou durante o jogo.
g) com algumas expressões femininas
à espera, à disposição, às claras, à esquerda, à direita, às escondidas.

Observação
A ocorrência da crase pode evitar a ambiguidade( duplo sentido ) em alguns casos:
Caso 1
A)    O artista pinta a mão.( mão pintada)
B)    O artista pinta à mão.( modo de pintar)

Caso2.
a)      Saiu a francesa depois do almoço.( uma mulher francesa saiu)
b)      Saiu à francesa depois do almoço.( saiu sem ninguém notar)

Caso3.
a)      Carlos bateu a porta da casa da namorada.( bateu a porta com força)
b)      Carlos bateu à porta da casa da namorada.( chamou)

Caso 4.
a)      Chegou  a noite com toda sua beleza.( noite é sujeito)
b)      Chegou à noite com sua beleza. ( noite adjunto adverbial de tempo)

Caso 5
a)      “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante” ( margens plácidas é sujeito)

b)      Ouviram às margens plácidas do Ipiranga de um povo heroico o brado retumbante. ( margens plácidas é adjunto adverbial de lugar)




NUNCA ocorre crase antes de palavras que não admitem artigo A
Casos:

a) Palavras masculinas.


Agradeço a José.
Não me refiro a relatório nenhum.
Dê graças a Deus por sua vida.
Entregue esta carta a Pedro.
Gosto de andar a .
Não sou a favor de fofocas.

b)       pronomes


 Entregue a ela este livro.
 Dê a mim o que me cabe.
Minha vida  não interessa a ninguém.
Refiro-me a este caso.
Informe a quem você achar necessário.
Não dê atenção a isso.
Agradeço a todos pela atenção dispensada.

 Esses pronomes não admitem o uso do artigo A. Portanto, nada de crase.

c)       numerais

  Desvio a 50 metros.

 Daqui a 20 anos estarei livre das prestações da casa.

Aulas de segunda a sexta-feira.

Alunos de sexto a nono ano.

observação
só ocorrerá crase se houver a presença do artigo A antes do numeral feminino. Exemplo:
Serão atendidos alunos da terceira à quarta série.( note o artigo antes de terceira e quarta)

d)entre datas

De trinta de novembro a dois de dezembro.


e)      antes de verbos, pois são considerados palavra masculina, logo não admitem artigo A. 

Blusa a partir de 15 reais. 
Estamos a trabalhar o dia inteiro.

f) antes de artigo indefinido ( um, uma, uns, umas) porque só temos preposição A.

Cheguei a uma conclusão muito importante.

Ele chegou a uma hora inesperada.

Ela se salvou graças a um socorro vindo de um estranho.

f)não ocorre crase com palavras repetidas porque só temos preposição A. 
Exemplo:
corpo a corpo
frente a frente
cara a cara
mês a mês
dia a dia

g) antes da palavra casa( sinônimo do próprio lar)
Cheguei a casa mais cedo hoje.

h) antes da palavra terra( antônimo de mar)
O marinheiro saudoso ansiava por chegar a terra.


Bibliografia consultada:
Cipro Neto, Pasquale

    Gramática da língua Portuguesa/Pasquale & Ulisses, - São Paulo, Scipione, 1988

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

PAPO MALUCO

Papo maluco


            O sujeito entra num bar, senta-se à mesa e logo um garçom aparece.
— Boa noite, o que o senhor toma?
— Tomo vitamina C pela manhã, o ônibus para ir ao serviço e uma aspirina quando tenho dor de cabeça.
— Desculpe, mas acho que não fui claro.  Eu quis dizer do que é que o senhor gostaria?
— Ah! Tudo bem! Gostaria de ter uma Ferrari, de casar com a Gisele Bündchen e mandar a minha sogra para o inferno.
— Não é nada disso, meu senhor! — Continua o garçom, ainda calmo. — Eu só gostaria de saber o que o senhor deseja  beber.
— Ah! É isso? Bem... o que é que você tem?
E o garçom:
— Eu? Nada, não! Só tô um pouco chateado porque o meu time perdeu pro São Caetano.

Norma Ferreira da Silva (por e-mail) Uberlândia – MG Almanaque Drogasil, ano 1, nº 1, maio de 2004, p.22.

1-    Por que o texto recebeu o título Papo maluco?
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2-   Como o garçom poderia ter abordado o freguês para ser entendido logo na primeira fala?
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3-   E a fala do freguês, como poderia ter sido mais clara?
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4-   Na segunda fala do freguês, que expressão nos leva a pensar que ele passou a entender o garçom?
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5-   Como o garçom age em relação ao freguês? Por quê?
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Pronome relativo

Pronomes relativos Pronomes relativos são usados para retomar  um termo antecedente( já expresso anteriormente) Observe o exempl...