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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Intertextualidade - Camões

Sete anos de pastor Jacó servia

 Camões

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fôra assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: -Mais servira, se não fôra
Para tão longo amor tão curta a vida!


Comentário da Professora A. Fátima Fuini

O soneto "Sete anos de pastor Jacó servia", do incrível Camões, poeta português do século XVI, é inspirado no capítulo 29 de Gênesis. O tema desenvolvido é o amor de Jacó por Raquel.
Jacó serviu a Labão, pai de Raquel, durante sete anos com intenção de casar-se com ela, o grande amor da sua vida. Durante sete anos, Jacó contentava-se em estar perto dela, na esperança do cumprimento da promessa  feita pelo futuro sogro.

Porém, no final dos sete anos, Jacó descobre que foi enganado por Labão que, na noite de núpcias, trocou Raquel por sua irmã Lia. Quando Jacó “percebeu”, já estava casado com outra. 
Então, Labão se justifica, dizendo que a filha mais velha deveria casar-se primeiro e  propõe que Jacó o sirva por mais sete anos para se casar com  Raquel.

Jacó não desiste do amor verdadeiro que o impulsiona a servir o sogro por mais sete anos para ter sua amada. “Mais serviria, se não fora / Para tão longo amor tão curta a vida!”.
Assim, o Amor, personificado neste belíssimo soneto, ultrapassa o tempo, tornando-se eterno.
Biblicamente, essa passagem de Gn. 29 é uma metáfora do amor incondicional de Deus pela humanidade

quarta-feira, 3 de maio de 2017

UM MOVER DE OLHOS



Este soneto compõe a figura  mulher idealizada: delicada, submissa, discreta, sorriso brando.
Apesar de toda essa fragilidade aparente, ela consegue aprisionar o coração do poeta.

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste fermosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CAMÕES





ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE

Soneto autobiográfico
O soneto aborda o passado do eu-lírico e a dor  que  sente ao recordá-lo. Ele já não tem esperança na alegria de viver, sente-se iludido pelo Amor “De amor não vi senão breves enganos” (v. 12) “ Em erros meus, má fortuna”, o poeta fala do seu destino que o castiga.

O tom do poema é o lamento do poeta diante da vida e suas ilusões sobre o destino e o amor.

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava o amor, somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos…
Oh! Quem tanto pudesse que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Luis Vaz de Camões

Diferença entre Coesão e Coerência

  Coesão e coerência   Coesão A coesão é responsável pela ligação de palavras, frases e parágrafos. Além disso, retoma termos ditos ante...