quarta-feira, 18 de setembro de 2013

AMIGO DO PEITO



Amigo do peito

O coração é, inquestionavelmente, o órgão do corpo humano que mais dá sinais notórios da sua presença e funcionamento. É possível senti-lo bater, às vezes, acompanha o nosso estado de ânimo, de tal modo, que acelera, intensifica o trabalho. Se estivermos ansiosos, parece querer correr acelerado contra o tempo. Se estivermos com medo, também corre, como querendo fugir. Se estivermos tristes, bate descompassado, como que acompanhando a nossa cambaleada. Se estivermos em pânico, parece que ficamos com “o coração na boca”, querendo sair, tamanho o desespero. Se estivermos angustiados, parece que sentimos “o coração nas mãos”, como que necessitasse de proteção e aconchego para não parar de bater. O coração sempre exerceu fascínio no ser humano, e é por isso que foi escolhido para ser a sede de nossos sentimentos. O coração parece incansável, até que pare. Por tantas razões ele patrocina inúmeras expressões populares: ele tem um “coração derretido”, assinala o traço compassivo e bondoso de alguém, que se desmancha diante da insistência, do pedido, seja lá por qual forma se externe. Um “coração derretido” é um coração que dá e chora, qual um “coração mole”.
Amigo que é amigo mesmo, só pode ser “amigo do peito”, pois é no peito que ele estará incrustado, porque é lá que está o coração que sente. Sente tanto que às vezes é de “arrepiar o coração”, como se este tivesse pelos para serem eriçados. Quando alguém perde a capacidade de sentir, de se emocionar, de se condoer, nada capta mais essa situação que a expressão que o qualifica: ele tem um “coração de pedra”.
A alegria também tem suas contradições, uma vez que podemos até “chorar de alegria”. Da mesma forma, expressões do tipo: “arrebenta coração”, “explode coração”, trazem a marca do contraditório, pois, de tanta alegria parece que o coração não consegue conter toda ela, tamanha “quantidade” de alegria.
Um “coração malvado” pode ter uma conotação de sentido dúbio: tanto pode se referir a qualidade de má de uma pessoa, quanto a qualidade “sapeca”, “moleque”, de alguém.
Se o indivíduo já nasce com um “coração corintiano , parece ter adquirido a resistência de um “coração sofredor” e de um “coração fiel”.
Quando alguém “lembra de cor” alguma coisa, além de atestar sua capacidade de memória, revela também, que aquilo foi, por um momento, importante para a pessoa. Você memoriza algo que lhe diz respeito, que é necessário, que alguém vai lhe cobrar mais tarde, ou que você deseja ardentemente conservar em sua mente. Por causa deste último aspecto assinalado nasceu esta expressão, pois “cor”, vem de “coeur”, no francês, que significa coração. A ideia é lembrar no coração, onde se guardam as coisas desejadas e queridas. Milton Nascimento imortalizou na música “Canção da América” esta mesma ideia  “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração, assim falava a canção que na América ouvi … Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção. O que importa é ouvir a voz que vem do coração.”
A “voz do coração”, assim como, “a voz da consciência”, são sons que não podem ser abafados com facilidade. Podem ser sentidos como doces sussurros, ou fala coerente e comum; algumas vezes, como gritos ou gemidos que ensurdecem ou impulsionam.
O coração não é só um lugar de guardar, é também lugar para entrar, daí a figura de linguagem: “quero entrar no seu coração”. Até mesmo Jesus utiliza essa figura no texto Sagrado, “eis que estou a porta e bato” (Ap.3:20). O coração, como entrada, tem porta e tem chave – a chave é a vontade, por isso, ninguém “arromba um coração”, nem “entra sem ser convidado”.
Dr. Fernando de Oliveira

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