segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

VESTIBULAR- QUESTÕES COMENTADAS









QUESTÕES - COMENTADAS  SEGUNDA FASE

QUESTÃO 1 Unicamp 

Os textos abaixo foram retirados da coluna “Caras e bocas”, do Caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo:
“A intenção é salvar o Brasil.”
Ana Paula Logulho, professora e entusiasta da segunda “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que pede uma intervenção militar no país e pretendeu reeditar, no sábado, a passeata de 19 de março de 1964, na capital paulista, contra o governo do Presidente João Goulart.
“Será um evento esculhambativo em homenagem ao outro de São Paulo.”
José Caldas, organizador da “Marcha com Deus e o Diabo na Terra do Sol”, convocada pelo Facebook para o mesmo dia, no Rio de Janeiro.
(O Estado de São Paulo, 23/03/2014, Caderno Aliás, E4. Negritos presentes no original.)

a) Descreva o processo de formação de palavras envolvido em “esculhambativo”, apontando o tipo de transformação ocorrida no vocábulo.

b) Discorra sobre a diferença entre as expressões “evento esculhambado” e “evento esculhambativo”, considerando as relações de sentido existentes entre os dois textos acima.

QUESTÃO 2 FUVEST
Examine a seguinte matéria jornalística:

Sem-teto usa topo de pontos de ônibus  em SP como cama


Às 9h desta segunda (17), ninguém dormia no ponto de ônibus da rua Augusta com a Caio Prado.
Ninguém a não ser João Paulo Silva, 42, que chegava à oitava hora de sono em cima da parada de coletivos.






“Eu sempre durmo em cima desses pontos novos. É gostoso. O teto tem um vidro e uma tela embaixo, então não dá medo de que quebre. É só colocar um cobertor embaixo, pra ficar menos duro, e ninguém te incomoda”, disse Silva depois de acordar e descer da estrutura. No dia, entretanto, ele estava sem a coberta, “por causa do calor de matar”.

Por não ter trabalho em local fixo (“Cato lata, ajudo numa empresa de carreto. Faço o que dá”), ele varia o local de pouso. “Às vezes é aqui no centro, já dormi em Pinheiros e até em Santana. Mas é sempre nos pontos, porque eu não vou dormir na rua”.

www1.folha.uol.com.br, 19/03/2014. Adaptado.

a) Qual é o efeito de sentido produzido pela associação dos elementos visuais e verbais presentes na imagem acima? Explique.
b) O vocábulo “pra”, presente nas declarações atribuídas a João Paulo Silva, é próprio da língua falada corrente e informal. Cite mais dois exemplos de elementos linguísticos com essa mesma característica, também presentes nessas declarações.


2. Avalie a redação das seguintes frases: 
I. O futebol conquistou um papel na sociedade tanto culturalmente como econômico e político. 
II. Os clubes buscam a expansão do número de associados bem como reduzir gastos com publicidade. 
III. Doravante tais fatos, fica claro que o futebol exerce uma grande influência no cotidiano do brasileiro. 
IV. O técnico declarou aos jornalistas que, para o próximo jogo, ele tem uma carta na manga do colete. 

a) Reescreva as frases I e II, corrigindo a falta de paralelismo nelas presente. 
b) Reescreva as frases III e IV, eliminando a inadequação vocabular que elas apresentam.


Questão 3 - UNICAMP 


Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público. Se a celebridade "x" está saindo com o ator "y", isso não tem nenhum interesse público. Mas, dependendo de quem sejam "x" e "y", é de enorme interesse do público, ou de um certo público (numeroso), pelo menos.
As decisões do Banco Central para conter a inflação têm óbvio interesse público. Mas quase não despertam interesse, a não ser dos entendidos.
O jornalismo transita entre essas duas exigências, desafiado a atender às demandas de uma sociedade ao mesmo tempo massificada e segmentada, de um leitor que gravita cada vez mais apenas em torno de seus interesses particulares.
(Fernando Barros e Silva, O jornalista e o assassino. Folha de São Paulo (versão on line), 18/04/2011. Acessado em 20/12/2011.)

a) A palavra público é empregada no texto ora como substantivo, ora como adjetivo. Exemplifique cada um desses empregos com passagens do próprio texto e apresente o critério que você utilizou para fazer a distinção.

b) Qual é, no texto, a diferença entre o que é chamado de interesse público e o que é chamado de interesse do público?

Questão 4 Unicamp
Unicamp 2 fase
No texto abaixo, há uma presença significativa de metáforas que auxiliam na construção de sentidos.

Entre silêncios e diálogos

Havia uma desconfiança: o mundo não terminava onde os céus e a terra se encontravam. A extensão do meu olhar não podia determinar a exata dimensão das coisas. Havia o depois. Havia o lugar do sol se aninhar enquanto a noite se fazia. Havia um abrigo para a lua enquanto era dia. E o meu coração de menino se afogava em desesperança. Eu que não era marinheiro nem pássaro - sem barco e asa.
Um dia aprendi com Lili a decifrar as letras e suas somas. E a palavra se mostrou como caminho poderoso para encurtar distância, para alcançar onde só a fantasia suspeitava, para permitir silêncio e diálogo.
Com as palavras eu ultrapassava a linha do horizonte. E o meu coração de menino se afagava em esperança.
Ao virar uma página do livro, eu dobrava uma esquina, escalava uma montanha, transpunha uma maré.
Ao passar uma folha, eu frequentava o fundo dos oceanos, transpirava em desertos para, em seguida, me fazer hóspede de outros corações.
Pela leitura temperei a minha pátria, chorei sua miséria, provei de minha família, bebi de minha cidade, enquanto, pacientemente, degustei dos meus desejos e limites.
Assim, o livro passou a ser o meu porto, a minha porta, o meu cais, a minha rota. Pelo livro soube da história e criei os avessos, soube do homem e seus disfarces, soube das várias faces e dos tantos lugares de se olhar. (...) Ler é aventurar-se pelo universo inteiro.
(Bartolomeu Campos de Queirós, Sobre ler, escrever e outros diálogos. Belo Horizonte: Autêntica, 2012, p. 63.)

a) No trecho “Assim, o livro passou a ser o meu porto, a minha porta, o meu cais, a minha rota”, há metáforas que expressam a experiência do autor com a leitura.
Escolha uma dessas metáforas e explique-a, considerando seu sentido no texto.

b) O texto mostra que a experiência de leitura promove uma importante mudança subjetiva. Explique essa mudança e cite dois trechos nos quais ela é explicitada.

QUESTÃO 5 - FUVEST 2016
Leia este texto.
O tempo personalizou minha forma de falar com Deus, mas sempre termino a conversa com um pai-nosso e uma ave-maria.
(...)
Metade da ave-maria é uma saudação floreada para, só no final, pedir que ela rogue por nós. No pai-nosso, sempre será um mistério para mim o “mas” do “não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. Me parece que, a princípio, se o Pai não nos deixa cair em tentação, já estará nos livrando do mal.
Denise Fraga, www1.folha.uol.com.br, 07/07/2015. Adaptado.
a) Mantendo-se a relação de sentido existente entre os segmentos “não nos deixeis cair em tentação” / “mas livrai-nos do mal”, a conjunção “mas” poderia ser substituída pela conjunção e, de modo a dissipar o “mistério” a que se refere a autora?
Justifique.

b) Sem alterar seu sentido, reescreva o trecho da oração citado pela autora, colocando os verbos “deixeis” e “livrai” na terceira pessoa do singular.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Reescritura

Reescritura – exercícios
Questão 1
Examine as seguintes frases e, em seguida, reescreva-as, eliminando os problemas de redação que nelas ocorrem:
a) Nunca e ninguém tomaram conhecimento da crise que cansei de me referir, nas páginas desse jornal, temeroso e inutilmente.

b) É sabido que no século XX da história humana houve mais desenvolvimento científico e tecnológico que todas as outras épocas juntas produziram.

Questão 2
Reescreva as seguintes frases do texto, conforme a instrução entre parênteses que acompanha cada uma delas:
a) “termos que, em geral, visam à atitude subjetiva do autor” (substitua o verbo “visar” por “ter como foco”, fazendo as alterações necessárias);

b) “apesar de o seu mundo imaginário corresponder muito menos à realidade empírica” (substitua “apesar de” por “embora”, fazendo as alterações necessárias).

Questão 3 Fuvest 2017

Considere a imagem abaixo, extraída da apresentação do filme A Amazônia, que faz parte da campanha “A natureza está falando”.

No áudio desse filme, a atriz Camila Pitanga interpreta o seguinte texto:
Eu sou a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. Eu mando chuva quando vocês precisam. Eu mantenho seu clima estável. Em minhas florestas, existem plantas que curam suas doenças. Muitas delas vocês ainda nem descobriram. Mas vocês estão tirando tudo de mim. A cada segundo, vocês cortam uma das minhas árvores, enchem de sujeira os meus rios, colocam fogo, e eu não posso mais proteger as pessoas que vivem aqui. Quanto mais vocês tiram, menos eu tenho para oferecer. Menos água, menos curas, menos oxigênio. Se eu morrer, vocês também morrem, mas eu crescerei de novo...

a) Por estar em primeira pessoa, o texto constitui exemplo de uma determinada figura de linguagem. Identifique essa figura e explique seu uso, tendo em vista o efeito que o filme visa alcançar.


b) No referido áudio, é possível perceber, no final da locução da atriz, uma entonação especial, representada na transcrição por meio de reticências. Tendo em vista que uma das funções desse sinal de pontuação é sugerir uma ideia não expressa que cabe ao leitor inferir, identifique a ideia sugerida, neste caso.

RESPOSTA AQUI

sábado, 28 de novembro de 2015

Adjunto adverbial

Adjunto adverbial

  Adjunto adverbial: termo  expresso por um advérbio ou locução adverbial que indica uma circunstância: TEMPO, MODO, LUGAR , NEGAÇÃO, AFIRMAÇÃO, INTENSIDADE, DÚVIDA, INSTRUMENTO, COMPANHIA,  geralmente associado a VERBO INTRANSITIVO, nem sempre vem acompanhado de preposição.está associado ao VERBO, AO ADJETIVO ou ao próprio advérbio.

Exemplo:
a. adjunto adverbial associado ao verbo:
Amanhã  falaremos sobre isso. TEMPO
Ela falava tranquilamente sobre o assunto. MODO
A criança não  guarda mágoa por muito tempo .NEGAÇÃO
Josefina anda depressa. MODO
O meliante foi morto a tiros. INSTRUMENTO
Fui ao cinema com meu namorado. COMPANHIA

b. adjunto adverbial associado ao adjetivo:

Jussara é muito bonita.
Aquela senhora é pouco instruída.

c. Adjunto adverbial associado ao advérbio
Dormi muito bem.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Regência verbal e pronome relativo


A regência verbal e o pronome relativo


Essa dupla costuma criar algumas confusões. Muitos usam o relativo “ que”  para tudo.
Veja
                        A mulher que eu jantei na casa dela é muito simpática.
                       O colégio que estudo fica perto de casa.
                       O dinheiro que necessito só entrará na conta o mês que vem.
                        Este é o rapaz que eu confio.           
               Ali fica o restaurante que eu almoçava todos os dias.
.              Este é o rapaz que eu falei para você.

Nos casos acima é necessário verificar a regência dos verbos ;

1.       A mulher em cuja casa jantei( jantei na casa da mulher, não a mulher, isso é canibalismo)
2.        O colégio onde ou em que estudo ( estudo no colégio e não o colégio)
3.       O dinheiro de que ou do qual necessito ( quem necessita, necessita de alguma coisa ou de alguém)
4.       Este é o rapaz em quem confio.( quem confia, confia em alguém)
5.       Ali fica o restaurante onde ou em que eu almoçava ( almoçava no restaurante, não o restaurante.)

           6.Este é o rapaz de quem lhe falei. ( falei do rapaz, não o rapaz.)

Questão da Fufest 2016

Das propostas de substituição para os trechos sublinhados nas seguintes frases do texto, a única que faz, de maneira adequada, a correção de um erro gramatical presente no
discurso do narrador é:

a) “Assim mesmo morrera negro, morrera pobre.”: havia morrido negro, havia morrido pobre.

b) “Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara.”: Omolu dizia, no entanto, que não fora.

c) “Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina.”: mas tão pouco sabiam da vacina.

d) “Mas para que seus filhos negros não o esqueçam  [...].”: não lhe esqueçam.

e) “E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas [...].”: numa noite em que os atabaques.


alternativa E 
Comentário
A locução adverbial  noite em que  indica o tempo em que ocorre  a ação verbal, ou seja ( quando os atabaques batiam?), por isso a preposição EM deve ser empregada. (O verbo bater é intransitivo).
Sem a preposição temos a impressão de que os atabaques batiam na noite, ou seja, a noite recebia as batidas) 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sintaxe de regência


Sintaxe de regência

TERMO REGENTE E TERMO REGIDO
Termo regente é aquele que exige um complemento ou um adjunto adverbial.

Exemplo:
Regência verbal
Eu confio em Deus. ( confio em quem?) o verbo confiar pede um complemento com preposição OBRIGATÓRIA, chamado OBJETO INDIRETO. Note a presença da preposição EM.

Dormi bem. ( bem: adjunto adverbial de modo).
( O verbo dormir, por ser INTRANSITIVO não rege(pede) um complemento verbal( objeto), mas sim um complemento circunstancial (ADJUNTO ADVERBIAL) de modo( como dormi?)

Regência nominal 
Minha confiança em Deus. ( confiança é substantivo( nome)e "  em Deus"  completa esse nome)

O termo regido é subordinado ao termo regente  mantém uma relação de dependência com ele)
No caso de REGÊNCIA VERBAL com verbo transitivo(necessita de complemento) , o termo regido é chamado de objeto direto( completa o verbo sem preposição obrigatória)  e objeto indireto completa o verbo com preposição obrigatória)
No caso de verbo intransitivo, ( não necessita de complemento)não temos objeto, mas sim adjunto adverbial.

No caso de REGÊNCIA NOMINAL , os termos  regidos são chamados de complemento nominal.

RESUMINDO SINTAXE DE REGÊNCIA:

a. Regência Verbal: termo regente: VERBO.
Termo regido: objeto direto e objeto indireto - com Verbos Transitivos.
 Adjunto adverbial com Verbos Intransitivos.

b.Regência Nominal: termo regente NOME( substantivo, adjetivo e advérbio).
Termo regido: complemento nominal.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TODO MUNDO E NINGUÉM




TODO MUNDO E NINGUÉM

Todo o Mundo e Ninguém
Um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demônios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Representada pela primeira vez em 1532, como parte de uma peça maior, chamada Auto da Lusitânia (no século XVI, chama-se auto ao drama ou comédia teatral), a obra é de autoria do criador do teatro português, Gil Vicente
Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém:
Que andas tu aí buscando?
Notas de tradução
Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar. 
Porfiando: insistindo, teimando.
Ninguém:
Como hás nome, cavaleiro?
O verbo haver nestes versos tem o sentido de ter.
Todo o Mundo:
Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
sempre nisto me fundo.
E sempre nisto me fundo: e sempre me baseio neste princípio, nesta idéia.
Ninguém:
Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem. 
Dinato:
Que escreverei, companheiro?
Belzebu:
Que ninguém busca consciência.
e todo o mundo dinheiro. 

Ninguém:
E agora que buscas lá?
Todo o Mundo:
Busco honra muito grande.
Ninguém:
E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.
Belzebu:
Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra todo o mundo
e ninguém busca virtude.
Adição: acrescentamento.
Acude: ocorre.

Ninguém:
Buscas outro mor bem qu'esse?
A palavra mor, muito pouco empregada atualmente, é uma forma abreviada de maior. Poderíamos dizer, pois:
buscas outro maior bem...
Todo o Mundo:
Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém:
E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse. 
Belzebu:
Escreve mais.
Dinato:
Que tens sabido?
Belzebu:
Que quer em extremo grado
todo o mundo ser louvado,
e ninguém ser repreendido.

Ninguém:
Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo:
Busco a vida a quem ma dê.
Ma: me+a. Contração dos pronomes pessoais oblíquos, objeto indireto e direto, respectivamente.
Ninguém:
A vida não sei que é,
a morte conheço eu.
Belzebu:
Escreve lá outra sorte.
Dinato:
Que sorte?
Belzebu:
Muito garrida:
Todo o mundo busca a vida
e ninguém conhece a morte. 
Garrida: engraçada.

Todo o Mundo:
E mais queria o paraíso,
sem mo ninguém estorvar.
Mo: me+o. Contração do pronome objeto indireto me com o pronome demonstrativo objeto direto o. Entenda-se no texto: sem ninguém estorvar isto a mim.
Estorvar: atrapalhar.
Ninguém:
E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso. 
Ponho: entenda-se: proponho.
Belzebu:
Escreve com muito aviso.
Dinato:
Que escreverei?
Belzebu:
Escreve
que todo o mundo quer paraíso
e ninguém paga o que deve. 

Todo o Mundo:
Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.
Folgo: tenho prazer, gosto.
Ninguém:
Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.
Belzebu:
Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.
Dinato:
Quê?
Belzebu:
Que todo o mundo é mentiroso,
E ninguém diz a verdade.

Ninguém:
Que mais buscas?
Todo o Mundo:
Lisonjear.
Lisonjear: elogiar.
Ninguém:
Eu sou todo desengano.
Belzebu:
Escreve, ande lá, mano.
Dinato:
Que me mandas assentar?
Belzebu:
Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o mundo é lisonjeiro,
e ninguém desenganado.
mui: forma reduzida de muito.

O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.
O autor: Gil Vicente
Não se sabe, ao certo, a data do nascimento de Gil Vicente. Talvez 1452, 1465 ou 1470. Supõe-se tenha falecido em 1537. Trabalhava junto à corte, como mestre da balança (ou seja, diretor da Casa da Moeda). Em 1502, por ocasião do nascimento do príncipe D. João III, representou perante a rainha mãe, ainda acamada, a peça Auto da visitação (ou Monólogo do vaqueiro). Com ela iniciava o teatro em Portugal.
Em sua biografia quase tudo são hipóteses, inclusive a cidade portuguesa que teria sido seu berço natal.
Mas o importante mesmo é o valor de sua extensa obra teatral, com a qual pintou um painel crítico da sociedade portuguesa quinhentista, não lhe tendo escapado classe social alguma. Suas peças eram, em geral, representadas nos paços reais, com a corte presente. Os cenários e os recursos técnicos eram pobres, mas os temas engenhosos , as personagens decalcadas da realidade e a agilidade do diálogo, além do humor, fizeram do autor um dos mais significativos de toda a história da literatura portuguesa. Principais obras: Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória (a chamada Trilogia das barcas), Auto da Índia, Farsa de Inês Pereira.
Apesar da dificuldade que poderá ocorrer na leitura e representação de suas peças, por causa da linguagem antiga, vale a pena conhecer esse autêntico gênio do teatro português de todos os tempos. 
Fonte: "Aprendendo o Português...", Dino Preti, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1977

ACENTUAÇÃO GRÁFICA - palavras que continuam com acento gráfico

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Temos observado que, depois do NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO, muitas pessoas deixaram de acentuar palavras que não sofreram alteração. Esse procedimento tem atrapalhado a aprendizagem e revelado um desconhecimento de ORTOGRAFIA.
A seguir algumas regras que continuam valendo:
01.As oxítonas  Terminadas em:  -a, -e, -o, -em, -ens e ditongos abertos éi, ói, éu.
Exemplos: 

-     A (as)sofá, sofás, amá-lo, procurá-los. 

-     E( es)café, pelé, você,

-     O(os): avó, avô, após, camelô 

-     (em, ens) além, refém, reféns, parabéns, ninguém.

-    DITONGO ABERTO  ÉI, ÓI, ÉU seguidos ou não de S 

–éi: pastéis, anéis.

- ói: – constrói,  anzóis.

- éu: –  troféu, troféus.

OBSERVAÇÃO:

Se o ditongo for fechado, a palavra não leva acento.
correu, pensei, depois,


02.  As paroxítonas :  penúltima sílaba tônica. Terminadas em: 

- ã(s) ímã, órfãs 

-ão(s): bênção, órfãos; 

- i(s): táxi, júri ;

-  u (s) bônus,

- on (s): elétrons, próton,

-  um, uns(s) álbum, álbuns : 

- L  túnel, fácil, cônsul, amável,   ; 

- PS: bíceps, fórceps

- N: éden, abdômen, hífen;

- R: revólver, fêmur, líder, pôquer, caráter;

- X: tórax, clímax, látex ;

- ditongo: água, ânsia, petróleo, consciência, paciência, série.

Recordando ditongo: encontro de uma semivogal+ uma vogal ou vice-versa na mesma sílaba.

Observação: R O U X I N O L – as consoantes dessa palavra ajudam a lembrar uma importante regra de acentuação das paroxítonas. R L N X.

PROPAROXÍTONAS: quando a sílaba tônica é a ANTEPENÚLTIMA
OBSERVAÇÃO 
TODAS AS PROPAROXÍTONAS SÃO ACENTUADAS.
  todo – cânticos – vida – lâmpada – laba – ssaro 
– Exemplos: pêssego, lâmpada, árvore, sílaba, túnica, tônica, fábrica, médico, dúvida, autêntico, dígito, amássemos, exército, incômodo, depósito, trânsito, ínterim, xícara, esplêndido, bússola, hábito, idólatra, gênero, fôlego,  ônibus, vândalo, êxito, fenômeno, ídolo, úmido, efêmero, desânimo, pássaro, ótimo,  pedíssemos.

Observação: 
São acentuados todos os  monossílabos tônicos  em: a(s) pá, pás, gás; 
- e(s): mês, três, dê( verbo dar), fé, vê-lo, vê-la; 
- o(s) pós, cós, pôs, dó, só, pó.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Adjunto adnominal e predicativo

Diferença entre ADJUNTO ADNOMINAL e PREDICATIVO DO OBJETO


Por ser um termo qualificador, o adjetivo pode exercer a função  sintática de adjunto adnominal  e de predicativo, pois tanto o  adjunto adnominal  quanto  o predicativo modificam o sujeito ou o objeto.

Observe o adjetivo  deliciosas nas orações:
                 1.   A cozinheira comprou  duas tortas deliciosas.( adjunto adnominal)
                                                           
            2. A cozinheira considerou as tortas deliciosas. ( predicativo do objeto)
                                                             

Em 1, se passarmos o verbo da oração da voz ativa para a voz passiva, teremos a seguinte estrutura:
Duas tortas deliciosas  /   foram compradas pela cozinheira.
      Sujeito                                           predicado
O objeto direto  DUAS TORTAS  DELICIOSAS passa a ser sujeito da voz passiva
·          O adjetivo deliciosas  está junto  do núcleo do sujeito TORTAS ,  portanto deliciosa é adjunto adnominal do substantivo ( núcleo do sujeito tortas)

Passando o verbo da  oração 2 para a voz passiva, temos a seguinte estrutura:
Duas tortas  /  foram consideradas deliciosas pela cozinheira.
Sujeito                                         predicado

Observe que  em 2 o adjetivo deliciosas está fora do sujeito, fazendo parte do predicado.Portanto, não é adjunto adnominal, mas predicativo do sujeito tortas.








terça-feira, 3 de novembro de 2015

ENCONTROS VOCÁLICOS


Encontros vocálicos

Encontros Vocálicos


Há sílabas compostas por vogais e semivogais. Dessa forma temos os encontros vocálicos chamados DITONGO, TRITONGO E HIATO.
1.DITONGO
É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba. Pode ser:
a.       Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal. Exemplo:
História – his-tó-ria  (i = semivogal, a = vogal)
Água  - á-gua ( u= semivogal, a=vogal
       b) Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal.  Exemplo:
pai (a = vogal, i = semivogal)
dois( o=vogal, i=semivogal)
c) Oral: quando o ar sai apenas pela boca. Exemplo:
pai, série, memória
d) Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Por Exemplo:
Mãe, põe, não
2) TRITONGO – encontro de  uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nessa ordem, numa só sílaba. Pode ser oral ou nasal.
a. Oral
 Paraguai -
b.      nasal
Saguão -
3) HIATO: encontro de vogais em sílabas separadas.
Exemplo:
Rua ( ru-a)
 teatro( te-a-tro)
saúde( sa-ú-de)

poesia ( po-e-si-a

Turma do MARIO Dica para conjugar 5 verbos terminados em -iar que diferem dos demais com a mesma terminação. M ediar A nsiar ...